sexta-feira, 19 de julho de 2013

Bem te vi, bem te vejo!

Bem te vi.
Bem te vejo.
No cantar de passarinho
te faço um carinho
e mando um montão de beijo.

Sabiá, que não sabia nem assobiá
agora canta o dia inteiro.

Bem te quero
pelo bem que me faz.
E assim, Bem te vi
quero bem te ver
por todo o tempo que eu puder.

Por todo o tempo
que o Deus Tempo nos conceder.

Pra retribuir
todo esse bem
e poder te fazer
muito feliz também.

Gisele André.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Bem me quer ou mal me queira.

Que muito bem me queira
Porque do mal não quero nem saber.
Se bem me quiser
Te quero 
Livre de todo o mal.
Se mal me queira
Que todo o meu bem 

Te livre
Do seu próprio mal.


Gisele André.


sábado, 18 de maio de 2013

Para Mamãe.

100 dias...
Sem abraço de bom dia.
Sem conversa na cozinha.
Sem histórias da fazenda.

100 dias...
Sem a TV da sala ligada o dia todo.
Sem palavras cruzadas pela casa.
Sem panquecas.

100 dias...
Sem sermões, pelo pé descalço no chão frio, 
toalha molhada em cima da cama, 
quarto bagunçado, farelo de pão no sofá.

100 dias... 
Sem bolo de batata.
Sem papo furado enquanto espero o elevador.
Sem leitura de jornal na cadeira de balanço.

100 dias...
Sem os maravilhosos ditados populares.
Sem girassóis no quintal do meu peito.
Sem piscadinha de olho com beijinho no ar, como quem agradece por a gente existir.

100 dias...
Sem dias felizes.

Gisele André.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Pra Sempre...


Tudo que suponho daquilo
que existiu entre eu e você,
que poderia ter sido
e que não foi,
se houvesse sido um dia,
talvez fosse apenas e nada além
de uma forte atração e zefini.
Porém quis o destino,
Deus, as estrelas ou algo parecido
que simplesmente não fosse.
E exatamente por não ter sido
e por todas as infinitas suposições
que possam existir,
daquilo que poderia ter sido,
eu suponho que poderia ser Amor.
Supondo assim,
com tanta graça e tamanha vontade
que tivesse sido Amor de Verdade;
se houvesse sido,
é que transformo tudo isso
em Amor de fato.
Pois mesmo não tendo acontecido
transformei-o dentro da minha suposição
e vontade, em Amor e Verdade
e agora eternizado está
sendo Amor.
Pois mesmo que não tenha sido vivido,
ainda assim pra mim
será pra sempre eterno
e pra sempre Amor.

Gisele André.


terça-feira, 20 de março de 2012

Amor que acontece.

Me acontece você.
E todas as manhãs, anoiteço acolhida em tuas madrugadas.
Sem ar, por entre abraços, me provoca Mar.
Me faz amar.
Me acontece AMOR!



terça-feira, 9 de agosto de 2011

Sementes de Estrelas Cadentes.

Com sua intuição mística,                       
a menina metalinguística segue 
regando sementes semióticas 
de estrelas cadentes 
que depois de caídas 
se transformarão em abstratos fragmentos luminosos 
de um mundo real que já havia sido criado antes, 
pela genuína capacidade do ser humano 
de dar forma e conteúdo a imaginação, 
utilizando apenas a força e o poder do querer.




sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Esperança.

Eu quero uma dose de qualquer coisa 
que me aguce os sentidos, 
que faça do meu peito uma gigantesca montanha russa 
composta por infinitos loopings de emoções. 
Para que em meu rosto se abra um lindo sorriso, 
feito flor em botão 
espreguiçando-se lenta e graciosamente 
até que se abra inteira, 
expondo suas múltiplas cores cítricas, 
trazendo beleza e um quê de ternura 
para essa grama verde de esperanças,  
que compõe o tapete dos meus caminhos.





quarta-feira, 15 de junho de 2011

Pelas ruas.

Por achar que ao meu passo
o tempo será sempre escasso
tenho essa tola mania
de atravessar correndo
por todas as ruas.
Acabo me perdendo
nos cruzamentos
dos verdes olhares
pela calçada.
E ao invés de desviar
prefiro pular as poças
feitas pela chuva
só pra ouvir o som
da minha própria gargalhada.


terça-feira, 24 de maio de 2011

Potinhos de Ouro

Ai, como eu adoro os enormes,
reluzentes e tão coloridos ARCO-ÍRIS
que a vida nos dá quando
o Sol reaparece depois daquelas
horríveis tempestades.
Eles provocam em mim uma sensação
de potinhos de ouro.
Aqueles, que dizem que estão no final
de todo arco-íris, sabe?
Aqueles potinhos de ouro
que a gente não vê.
Não vê porque eles foram feitos
para serem sentidos.
Só que ao invés de chamá-los de potinhos de ouro
as pessoas chamam de FELICIDADE.
Ai, ai! O delicioso efeito das borboletas no estomago
que me faz distribuir esses sorrisos bobos pelo caminho!


quarta-feira, 18 de maio de 2011

A Menina Aquática e o Menino Alado.

A Menina Aquática e o Menino Alado
se viram através do espelho d'agua
que separa o céu do mar.
Se encantaram um com o outro
e combinaram de se encontrar.
Mas não havia um lugar.
Entre os dois existia o espelho d'agua
que separa o céu do mar.
E o Menino Alado não tinha nadadeiras para nadar
nem a Menina Aquática tinha asas para voar.
De maneira que aquele espelho que havia entre os dois
nunca houvera de se quebrar.

E o que parecia ser,
já não era mais.

Independente do querer,
estava antes de tudo
na natureza de cada um,
aquela cruel realidade
da Menina Aquática e o Menino Alado.
Nesta triste história
de um des-encontro marcado.


quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Cegueira.

Ela ama.
O Amor é cego.
Ela não enxerga um palmo na frente do seu nariz.
Mas sabe ler o invisível.
E decifra o infinito.


sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Recheio

Eu fico com o recheio.
Prefiro a parte que meus olhos não alcançam 
mas a alma vê.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Por trás da vidraça. (Caio F. Abreu)

"Cá entre nós: fui eu quem sonhou que você sonhou comigo?
Ou teria sido o contrário?
Sonhei que você sonhava comigo. Mais tarde, talvez eu até ficasse confuso, sem saber ao certo se fui eu mesmo quem sonhou que você sonhava comigo, ou ao contrário, foi quem sabe você quem sonhou que eu sonhava com você. Não sei o que seria mais provável. Você sabe, nessa história de sonhos — falo o óbvio —, nunca há muita lógica nem coerência. Além disso, ainda que um de nós dois ou os dois tivéssemos realmente sonhado que um sonhava com o outro, também é pouco provável que falássemos sobre isso. Ou não? Sei que o que sei é que, sem nenhuma dúvida:
Sonhei que você sonhava comigo. Certo? Não, talvez não esteja nada certo. Também não era isso o que eu queria ou planejava dizer. Pelo menos, não desse jeito embaçado como uma vidraça durante a chuva. Por favor, apanhe aquele pequeno pedaço de feltro que fica sempre ali, ao lado dos discos. Agora limpe devagar a vidraça — quero dizer, o texto. Vá passando esse pedaço de feltro sobre o vidro, até ficar mais claro o que há por trás. Lago, edifício, montanha, outdoor, qualquer coisa. Certamente molhada, porque só quando chove as vidraças embaçam. Será? Não tenho certeza, mas o que quero dizer, disso estou certo, começa assim:
Sonhei que você sonhava comigo. Agora penso que é também provável que — se realmente fui mesmo eu a sonhar que você sonhou comigo; e não o contrário — eu não estivesse sonhando. Nada de sono, cama, olhos fechados. É possível que eu estivesse de olhos abertos no meio da rua, não na cama; durante o dia, não à noite — quando aconteceu isso que chamo de sonho. Embora saiba que — se foi dessa forma assim, digamos, consciente — então não seria correto chamá-la de sonho, essa imagem que aconteceu —, mas de imaginação ou invento até mesmo delírio, quem sabe alucinação. Mas não, não é isso o que quero contar, O que quero contar, sei muito bem e sem nenhuma hesitação, começa assim:
Sonhei que você sonhava comigo. Parece simples, mas me deixa inquieto. Cá entre nós, é um tanto atrevido supor a mim mesmo capaz de atravessar — mentalmente, dormindo ou acordado — todo esse espaço que nos separa e, de alguma forma que não compreendo, penetrar nessa região onde acontecem os seus sonhos para criar alguma situação onde, no fundo da sua mente, eu passasse a ter alguma espécie de existência. Não, não me atrevo. Então fico ainda mais confuso, porque também não sei se tudo isso não teria sido nem sonho, nem imaginação ou delírio, mas outra viagem chamada desejo. Verdade eu queria muito. Estou piorando as coisas, preciso ser mais claro. Começando de novo, quem sabe, começando agora:
Sonhei que você sonhava comigo. Depois que sonhei que você sonhava comigo, continuei sonhando que você acordava desse sonho de sonhar comigo — e era um sonho bonito, aquele —, está entendendo? Você acordava, eu não. Eu continuava sonhando, mas na continuação do meu sonho você tinha deixado de sonhar comigo. Você estava acordado, tentando adequar a imagem minha do sonho que você tinha acabado de sonhar à outra ou à soma de várias outras, que não sei se posso chamar de real, porque não foram sonhadas. Mas, se foi o contrário, então era eu, e não você, quem tentava essa adequação — nessa continuação de sonho em que ou eu ou você ou nós dois sonhamos um com o outro. Nos víamos? Quase consegui, agora. Preciso simplificar ainda mais, para começar de novo aqui:
Sonhei que você sonhava comigo. Depois, fiquei aflito. E quase certo de que isso não tinha acontecido. O que aconteceu, sim, é que foi você quem sonhou que eu sonhava com você. Mas não posso garantir nada. Sei que estou parado aqui, agora, pensando todas essas coisas. Como se estivesse — eu, não você — acordando um pouco assustado do bonito que foi ter tido aquele sonho em que você sonhava comigo. Tão breve. Mas tudo é muito longo, eu sei. Estou ficando cansativo? Cansado, também. Está bem, eu paro. Apanhe outra vez aquele pedaço de feltro: desembace, desembaço. Choveu demais, esfriou. Mas deve haver algum jeito exato de contar essa história que começa e não sei se termina ou continua assim:
Sonhei que você sonhava comigo. Ou foi o contrário? Seja como for, pouco importa: não me desperte, por favor, não te desperto."

Caio Fernando Abreu.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Nobres corações.

Que se quebrem os vidros de todas as janelas.
Tanto, quanto todos os corações partidos.
Corações confusos.
Corações perdidos.

Eu quero ser seu casulo.
Seu descanso merecido.
Seu paraíso escolhido.
O seu colo preferido.

Na ação, na reação,
Certo ou errado.
Pela paz e pela guerra.
Meu amor nunca se encerra.
No meu peito, ele ainda berra.

Nobres sejam todos os corações que se entregam,
que se doam e se quebram.


sábado, 16 de outubro de 2010

Canção para Cauã.



JOSEFINA.

Dona Girafa já vem vindo
toda esbelta e elegante
É alegre e vive sorrindo,
vaidosa e radiante.

Girafa, Girafuda, Girafinha!
Ela é toda amarela
e cheia de pintinha.

Muito alta e vistosa,
cílios grandes e pescoção.
Fica sempre tão charmosa,
quando mostra seu linguão!


terça-feira, 7 de setembro de 2010

Lágrimas.

Lágrimas são sentimentos expostos em estado líquido.
Eu não choro mais.
Apenas deixo-me transbordar pelos olhos.


quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Gotas de Lua.

Minha alma sedenta, pela noite te procura.
Absorve aos goles, gotas de Lua.
Doces são os lábios,
e a carne... crua!

Roça tua pele em meu ventre.
Desliza tuas mãos em minhas curvas...

Me atiça os sentidos!
Acende tua chama!
Me incendeia, me ama!

Me decifra, me deixa nua.
Transborda-me o seu tato.
Porque hoje eu sou tua.

domingo, 15 de agosto de 2010

Isadora.

Misteriosa mulher invisível que me dá as mãos
e me leva para outra dimensão.
Sedutora alegria contagiante que me invade o coração.
Exala o perfume dos anjos que perderam suas asas
e esqueceram o caminho de casa.
Enche minha vida de cores, me apresenta novos sabores
e me enfeita com muitas flores.
Pertence a uma outra esfera.
É fruto da fertilidade da Primavera.
Me ama, me acaricia, me venera!

Mora dentro de mim.

Das múltiplas faces existentes em meu ser,
ela é a que mais me fascina.
Porque me alucina e a todos ilumina.
É chama acesa.
Indomável fantasia, faceira!
Intuitiva, ela é feiticeira!

Inconstante; cobiça miragens.
Mergulha nas mais loucas viagens.
Coleciona pétalas que são deixadas por seus caminhos,
de um horizonte imaginário!
Que vem me oferecer, em formato de relicário.



sábado, 14 de agosto de 2010

Vozes dos Deuses.

Nos meus sonhos coloridos,
as vozes dos Deuses vem me visitar.
Gritos sussurrados de suspiros...
Todas as palavras que posso inventar!
Sons que cantam com o vento.
Canções presentes nos campos da mente.
Vou seguindo as estrelas do infinito.
Solto minhas asas no ar!
Tranquei as sementes do mal num porão escuro.
Agora vejo tudo brilhar!
Bebo a água da fonte dos desejos.
Faço juras de amor e distribuo meus beijos.
Ouço as vozes dos Deuses a me guiar.
Caminho pela estrada do meu coração.
Faço de conta, varinha de condão.
Rastros de magia, feitiço...
Alucinação!